DESOBECIÊNCIA
arte e ciência no tempo presente

A exposição da mente a raios seculares de radiação massificante. Os túneis milenares de uma lógica há muito ultrapassada, como o encanamento enferrujado de um prédio edificado em sangue. Quais seriam as consequências de se ter o tempo e o espaço sempre em um contínuo pétreo, pavimentado por certezas vaziamente convictas e plenamente rasas? As relativizações temporais e espaciais vividas no último século quebraram muros e, junto com ciência, tecnologia e educação, construíram conexões verdejantes com o cheiro fresco da esperança. Usando da putrefação que se alastra ainda de tempos sombrios, a exposição DESOBECIÊNCIA: arte e ciência no tempo presente  propõe uma pesquisa sobre as dimensões que nos cercam e a relatividade temporal e suas relações com os meios artísticos, resultando em diversos trabalhos que explicitam algumas das ilusões contemporâneas presentes em nossas cosmovisões. 

Nesta exposição, o público entrará/entra/entrou em contato com explorações artísticas e literárias que transcendem mídias e fogem à linearidade cotidiana. Não há, nela, a proposição de ser entendida como ciência. Porém, a desobediência tecnológica - subversão dos fins iniciais de aparelhos elétricos feitos industrialmente para fins adaptados que supram às necessidades específicas de grupos únicos - que surfa na cultura hacker, leva, inerentemente, ares empíricos e tecnológicos que advém do método científico. Não uma feira de ciências, mas, usando conceitos teóricos formais como contexto para a realização artística de provocações e protestos tocantes aos tempos atuais, as obras expostas aqui confinam distorções temperamentais, previsões futurísticas, invenções tecnológicas, entre outras ferramentas desenvolvidas para a expressão de conhecimento subjetivo.

A inadimplência referida no título concerne à ruptura com a lógica de massas e ao manipular (cri)ativo e crítico do tempo e do espaço à nossa volta. Dentro de um momento histórico no qual se duvida e ataca a arte, a educação e a ciência, essa exposição, ao olhar artístico do tempo, une as áreas do conhecimento para, com toda a força, afirmar a importância de todas elas, integradas e sem distinção de hierarquia. Valorizando a arte e a cultura afro-brasileira, inspira-se livremente em conceitos apresentados por cientistas consagrados, propondo um desafio aos suportes artísticos, que resulta em obras referentes a assuntos tão rotineiros quanto impensados, com temas tempo-espaciais, estéticos e sociológicos. 

Fenômenos ainda inexplicados e até inexplorados existem na natureza. Essa magnitude de complexidade pode ser encontrada por todo o vasto universo em que vivemos, e não apenas nos cosmos etéreos, mas também dentro da efêmera singularidade humana. Propondo-se a lançar luz sobre algumas sombras que pairam dentro de corpos, celestes ou não, a exposição atualiza estratégias já experimentadas no modernismo ao inserir conceitos filosóficos e práticos na arte, decolando da órbita rupestre de mídias isoladas para aterrizar em mundos alternativos, pontos de intersecção entre formas de expressão. Sem a certeza de estar na linha do tempo correta, mas com a absoluta convicção de contemplar, fomentar e inspirar – Arte.

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